quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crise do setor madeireiro

Atraso na liberação dos projetos de manejo gera desemprego no setor madeireiro

Renata Reis

Um estudo do Dieese/PA divulgado na última quarta-feira (29) apontou que depois de perder mais de 10 mil postos de trabalho nos últimos dois anos, a indústrias madeireira no Pará encerrou o primeiro trimestre de 2009 com mais 1596 desempregados. Mas, segundo a Uniflor, a situação é ainda mais preocupante. As regiões sudoeste e oeste do Estado geraram 30 desempregos nos últimos três anos e somente no primeiro trimestre deste ano, já foram 24 mil empregos diretos perdidos em todo o Pará no setor. E isso tudo se deve ao atraso na liberação dos projetos de manejo.

Segundo o novo estudo do Dieese/PA sobre a flutuação dos postos de trabalhos no setor formal da economia no setor madeireiro do Pará, o ano de 2009 está seguindo a mesma trajetória dos anos anteriores, ou seja, com mais desemprego no setor. Segundo o estudo, no primeiro trimestre deste ano foram feitas 2127 admissões formais no setor contra 3723 desligamentos, gerando um saldo negativo de 1596 empregos. O setor mais atingido seria o das serrarias, que fez 1693 admissões e 2617 desligamentos no período, gerando um saldo negativo de 924 postos de trabalho.

Mas, segundo Luiz Carlos Tremonte, vice-presidente da União das Entidades Florestais do Estado do Pará (Uniflor), a situação do setor é ainda mais preocupante e o número de demissões de empregos diretos já chegou a 24 mil postos somente no primeiro trimestre deste ano. Segundo ele, isso se deve ao atraso na liberação dos projetos de manejo pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). “Infelizmente, o setor madeireiro ainda vai continuar mandando mais gente embora, porque os projetos de manejo não saem e não temos como trabalha”, afirma Tremonte.

Tremonte afirma que o setor madeireiro é muito frágil no Pará, porque não há um apoio do governo Estadual para a liberação dos projetos. “O discursos do governo estadual não é o mesmo do governo federal, que pede a agilidade na liberação dos projetos de manejo para diminuir o desmatamento. Essa situação gera mais desemprego, mais fome, mais miséria, mais prostituição infantil e mais desmatamento. O grande problema do setor é a falta de liberação dos projetos por parte da Sema, que vive fora da realidade do Pará”, critica Tremonte.

Segundo ele, a tendência é piorar e aumentar o número de desemprego no setor se os projetos não forem liberados mais rapidamente. A Uniflor afirma que o setor conversa com a Sema toda semana para tentar uma solução, mas só ouve promessas e desculpas sobre falta de funcionários para realizar o trabalho. “O setor está cansado de desculpas e não entende que interesses eles (o governo) estão defendendo. Lutamos tanto para que a liberação fosse estadualizada, mas começo a sentir saudades do tempo dos tempos do IBAMA, porque as coisas aconteciam com muita dificuldade, mas melhor do que acontecem hoje”, afirma. Segundo ele, a situação do Pará é muito pior do que dos outros estados da Amazônia.